sexta-feira, 7 de agosto de 2020

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Crianças têm atraso na fala e maior dependência dos pais durante pandemia

Crianças têm atraso na fala e maior dependência dos pais durante pandemia
Crédito da foto Para (Foto: EBC)
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Da sacada do apartamento em que mora com os pais, Santiago tem conhecido o mundo. Com 1 ano e 4 meses, ele passou um quarto da vida completamente dentro de casa por causa da pandemia do novo coronavírus.

“Depois de três meses em total isolamento, decidimos dar uma volta no quarteirão com ele e a reação foi muito impressionante. Ele ficou muito empolgado em ver um cachorro e uma criança. Ele descobriu que eles existem fora de uma tela”, contou a psicóloga Aluene Silva, 38, mãe do menino.

 

Há quatro meses em isolamento, famílias com crianças pequenas têm identificado mudanças no comportamento e no desenvolvimento infantil com a restrição de convívio social. Os pais relatam atrasos na fala, alterações do sono, humor e apetite e até mesmo regressão para a faixa etária dos filhos.

Para especialistas, a crise sanitária provocou uma ruptura brusca em um fator importante no desenvolvimento da primeira infância, a rotina. Mesmo crianças que não frequentavam a escola sofrem com as mudanças impostas, como a falta de contato com outras pessoas e a vivência fora de casa.

É o caso de Santiago, que ainda não frequentava a escola, mas estava acostumado a ver outros parentes e passear em parques e praças. No início da pandemia, ele começava a falar as primeiras palavras, mas, com o convívio restrito apenas aos pais, o desenvolvimento parece ter parado.

“Ele estava começando a falar ‘mamãe’ e ‘papai’ e agora parou. Como estamos só nós três em casa, nos comunicamos com ele quase que por telepatia. Nós entendemos o que ele quer só pelo olhar, acho que isso o desafia menos a aprender”, disse Aluene.

Para Lia Miranda, 2, a mudança de rotina foi ainda mais intensa. Ela estudava em período integral e passava dez horas do dia na escola. Ela tinha começado o desfralde um mês antes da suspensão das aulas. “Ela estava evoluindo bem, mas, sem ir pra escola, ela desaprendeu a pedir para ir ao banheiro. Tinha que trocar a roupa dela até 8 vezes no dia”, contou a mãe Júlia Miranda, 30, advogada.

Depois de algumas semanas, a famílias conseguiu completar o desfralde, mas as mudanças no comportamento ainda são sentidas. Segundo Júlia, a menina está mais dependente e irritadiça.

“Ela pede atenção e colo o tempo todo, o que não acontecia antes. Também não brinca sozinha e antes era bem independente na escola”.

Júlia também disse estar preocupada com o desenvolvimento social da filha, que perdeu a vontade de acompanhar as aulas por vídeo e não pergunta mais dos amigos da sala. No início da pandemia, Lia pegava a mochila e dizia que ia para a escola.

“Nas primeiras semanas ela ficava muito feliz em ver os amigos e a professora, depois ela ficava irritada em ter que acompanhar. Parecia uma obrigação e, então, decidi não forçar mais”, contou.

A fisioterapeuta Janaína Mussi, 37, também viu a mesma mudança com o filho Davi, de 5 anos, nos últimos meses. No começo das aulas a distância, o menino gostava de ver os amigos pelo vídeo, mas depois de algumas semanas começou a chorar e pedir para não fazer mais as atividades.

“Ele queria conversar com amigos, contar o que estava fazendo, mostrar os brinquedos. Começou a ficar irritado por ter que ficar quieto, esperar a vez dele”, contou. Ela também notou alterações no apetite e comportamento do menino, que também pedido mais atenção e chorado com mais frequência.

“Como ele só está convivendo com adultos, parece que ele se sente menos motivado a amadurecer. Brinco bastante com ele, mas sei que não o estimula da mesma maneira que brincar com crianças da mesma idade”.

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Fonte do post: FOLHAPRESS

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