Thursday, 25 de February de 2021

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Artigo da semana: Nem anjo, nem demônio.

Artigo da semana: Nem anjo, nem demônio.
Photo Credit To Luis Roberto de Lima
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A idade vem chegando, o tempo passando rápido demais, e muitas vezes penso que já vi de tudo, que já passei por muitas coisas e que já não me decepciono mais com as pessoas, que nada mais me choca ou causa mal estar. No entanto, quando eu menos espero, a vida vem e põe o dedo na minha cara e diz: “Tome!”, mostrando como é limitada ainda minha percepção e compreensão das coisas… pessoas. Parece que, por mais que a gente caminhe, nunca sai do lugar. Parece que, por mais que a gente viva está sempre no mesmo lugar, olhando tudo da mesma perspectiva. Não sou anjo, nem demônio, pois sei que ninguém é 100% bom como ninguém é 100% ruim e, por isso mesmo, sou alguém tão capaz de acertar e de errar. Quero acreditar que terei as mesmas oportunidades que aos outros. Quero acreditar que somos todos iguais, em direitos e deveres, pois, de outra forma, não faz sentido pra mim todo o esforço que faço para ser melhor. E, justamente por não ser anjo, decepciono-me às vezes com as pessoas ao notar que, muitas delas, tentam usar a sinceridade e a honestidade de outras pessoas pra satisfazer suas próprias necessidades de aceitação, tentando justificar suas próprias atitudes, suas próprias escolhas e sua própria história. Decepciono-me com a capacidade que algumas pessoas têm de simplesmente ignorar o que está por trás das roupas, das palavras, dos gestos, da aparência, sem se importar com o que está por dentro. Decepciono-me com o desejo quase incontrolável que algumas pessoas têm de estragar o que é bonito, o que é puro e positivo, apenas porque têm medo de ser rejeitadas ou colocadas de lado, porque têm medo de ser diminuídas ou apontadas, porque têm receio de serem menos amadas. Decepciono-me com outras tantas pessoas que cobram dos outros e que julgam ser mais fortes ou mais sábias, mas que também sofrem e também se destroem emocionalmente em muitas situações. Decepciono-me ao ver que muito do que se diz está sempre sendo analisado para ser usado contra a própria pessoa e nunca a favor. Decepciono-me quando vejo alguém tentando fazer a diferença para melhor e as pessoas insistindo em usar essa diferença para o pior, limitando ideias, restringindo sentimentos e minando forças. Decepciono-me quando vejo abraços (abraços falsos) usando esse abraço como escudo e justificativa para seus próprios sentimentos. Decepciono-me quando vejo pessoas assumindo posturas apenas para se justificarem perante os outros, nunca para serem coerentes consigo mesmas ou com a sua consciência. Não sou anjo, nem demônio, porque sou imperfeitamente humano, ou humanamente imperfeito, tentando crescer, aprender, participar e colaborar. Não sou anjo, nem demônio. Sou apenas alguém que tem aprendido, a duras penas, que as pessoas também não são perfeitas e que muitas delas nem sequer se importam com isso ainda. Sou apenas alguém que fala o que sente e paga caro por isso, mesmo quando fala com o coração cheio de luz, tentando desintegrar alguma mágoa que, como ser humano, possa trazer lá dentro. Sou apenas alguém que luta com os próprios erros, mas que dorme tranquilo todas as noites, graças a uma consciência limpa das más intenções de que tentam responsabilizar-me. Sou apenas alguém que, sem ser anjo ou demônio, tem um pouco dos dois todos os dias, nas mínimas e nas grandes coisas. Sou apenas alguém que ainda acredita que amigo sincero é aquele que aponta os erros e ajuda a transformá-los, e não aquele que se limita a olhar superficialmente para ver apenas o que é bom e agradável aos seus olhos, sem precisar correr o risco de dar sua face a tapa cada vez que vê algo em desvio na conduta daquele que considera como amigo de verdade.

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Post source : Luis Roberto de Lima

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