Abatiá — A Polícia Civil concluiu na terça-feira (14) o inquérito que investiga a mulher de 41 anos presa por encomendar o assassinato de uma funcionária da Casa Lar de Abatiá, no Norte Pioneiro do Paraná. Segundo o delegado responsável pelo caso, a suspeita e o marido dela também são investigados por ameaçar pelo menos outros três servidores da instituição de acolhimento.
A mulher está presa desde sexta-feira (10) e foi indiciada pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado e ameaça. O nome dela e do marido não foram divulgados pela polícia para preservar a identidade dos filhos e da funcionária ameaçada, que não foi ferida e passa bem.
Plano descoberto pelo filho de 16 anos
A investigação apontou que a mulher culpava a funcionária pela perda da guarda dos três filhos. Durante uma visita ao filho de 16 anos, que está em uma casa de acolhimento, o adolescente ouviu a mãe falando sobre a intenção de matar a servidora.
Ao pegar o celular dela, o menino encontrou as mensagens trocadas entre a suspeita e um intermediário. Na conversa, a mulher explicava onde a funcionária costumava estacionar o carro e negociava o pagamento de R$ 3.000 pelo crime.
“Vamos deixar para o dia sete, é o dia em que eu recebo”, escreveu a suspeita em uma das mensagens.
O filho alertou a vítima sobre a ameaça, o que levou a funcionária a procurar a polícia.
Perda da guarda e histórico de negligência
De acordo com a Polícia Civil, a retirada da guarda das crianças foi necessária após a constatação de um grave quadro de negligência e situação de risco.
“As crianças estariam sofrendo maus-tratos, não estariam tendo alimentação adequada, não estariam tendo o ensino adequado e não estariam frequentando a escola. Teria ali a prática de abandono intelectual e maus-tratos”, explicou o delegado Luis Guilherme Almeida.
A Promotoria de Justiça de Ribeirão do Pinhal informou que adotou medidas para tentar manter as crianças com os pais, mas a retirada da guarda foi inevitável diante das condições constatadas. O órgão também reforçou que fiscaliza regularmente a Casa Lar de Abatiá e que nenhuma irregularidade foi encontrada no atendimento.
Indicamento e próximos passos
A mulher deve responder por tentativa de homicídio qualificado por promessa de recompensa e motivo torpe. O inquérito já foi concluído e será encaminhado ao Ministério Público do Paraná.
O marido dela também segue investigado em procedimento separado pelas ameaças aos servidores do abrigo.














