Uma força-tarefa envolvendo a Polícia Civil do Paraná, Polícia Militar e Guarda Municipal de Cambará terminou, na manhã desta segunda-feira (31), com a prisão de um homem de 42 anos, investigado por uma sequência de atos de violência, danos e ameaças contra uma família de Cambará.
Ataque em colégio com bilhete ameaçador
O caso teve início na manhã de 27 de agosto de 2026, quando o homem foi até um colégio localizado em Cambará, onde trabalha a vítima, e destruiu o veículo dela que estava estacionado dentro do estabelecimento de ensino.
Segundo o boletim de ocorrência, a professora chegou à escola por volta das 6h54, estacionou seu Hyundai HB20 branco e entrou para trabalhar. Aproximadamente às 7h15, funcionários ouviram barulhos vindos do estacionamento. Ao verificar o que estava acontecendo, uma funcionária teria visualizado um homem usando capacete quebrando um veículo.
O carro teve todos os vidros quebrados, a parte traseira da lataria amassada e o capô perfurado por um objeto metálico. Preso ao capô estava um bilhete escrito em uma folha de caderno, assinado pelo suposto autor com a expressão “Justiceiro Secreto”.
A mensagem continha ameaças direcionadas à professora e a seus familiares, além de determinar que deixassem Cambará. Entre os dizeres registrados no boletim estavam “mudem de cidade”, “fique longe de Cambará” e “olho por olho, dente por dente”.
Identidade descoberta durante a investigação
A partir das diligências realizadas pela Polícia Civil, foram levantadas informações que permitiram identificar o homem que teria praticado o ataque. Uma das testemunhas ouvidas relatou que ouviu o barulho e foi até o portão, onde visualizou um homem deixando rapidamente o local em uma motocicleta, após sair da frente do veículo danificado.
A informação foi confrontada com os demais elementos obtidos durante as diligências, permitindo à investigação chegar à identidade do “Justiceiro Secreto”.
Histórico de conflitos e perseguições
As investigações também apontaram que os fatos não ocorreram de maneira isolada. O caso está inserido em um contexto de desavenças familiares anteriores, com relatos de episódios de perseguição e ameaças envolvendo o investigado e familiares da vítima.
Segundo os elementos reunidos no procedimento, havia conflitos anteriores entre as partes, circunstância que passou a ser considerada pela Polícia Civil na análise da dinâmica dos acontecimentos.
Inquérito concluído em apenas um dia
Diante da gravidade dos fatos e do temor provocado pelas ameaças, a Polícia Civil instaurou o inquérito policial na quinta-feira (27) e concentrou as diligências necessárias para esclarecer o ocorrido. O procedimento investigativo foi concluído já na sexta-feira (28), com a reunião dos elementos considerados necessários para subsidiar as providências cautelares.
Na mesma sexta-feira, a Delegada de Polícia responsável pelo caso representou pela prisão preventiva do investigado, fundamentando o pedido na gravidade concreta dos fatos, no conteúdo das ameaças, no histórico de conflitos e na necessidade de preservar a segurança das vítimas e de seus familiares. O pedido foi analisado pelo Poder Judiciário e deferido logo em seguida. No sábado, o mandado de prisão já havia sido expedido.
Novo ataque após a morte do pai da vítima
A situação teria se agravado ainda mais após a conclusão do inquérito. Na sexta-feira, o pai da vítima faleceu. Já no sábado, segundo as informações repassadas às forças de segurança, a família teria sido novamente alvo de violência: um veículo que estava no interior da residência da família foi incendiado.
O novo episódio elevou a preocupação das autoridades e reforçou a necessidade de localizar o investigado, que já era alvo de ordem judicial de prisão.
Força-tarefa e prisão com tentativa de fuga
Com o mandado expedido, Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Municipal de Cambará passaram a atuar de maneira integrada para localizar o investigado. As buscas foram intensificadas durante o fim de semana.
Na manhã desta segunda-feira (31), informações repassadas pela Guarda Municipal de Cambará contribuíram para que as equipes localizassem o investigado em uma rodovia nas proximidades do município.
A abordagem, porém, não ocorreu de forma tranquila. De acordo com o agente de Polícia Judiciária Thiago Hendrigo de Moraes, que participou da prisão, o investigado não teria obedecido à ordem de parada das equipes policiais. Ao perceber a presença das viaturas, teria acelerado, dando início a uma tentativa de fuga, chegando a arremessar objetos ao chão com a intenção de dificultar a perseguição.
A tentativa de fuga, contudo, não teve êxito. As equipes conseguiram interceptar o investigado e cumprir o mandado de prisão preventiva. Ele foi encaminhado para a Cadeia Pública de Cambará, onde permanece à disposição da Justiça.
“Justiceiro Secreto” termina preso
O caso, que começou com a destruição de um veículo dentro de uma escola e uma carta assinada por um misterioso “Justiceiro Secreto”, terminou com a identificação e prisão do suspeito após uma rápida mobilização das forças de segurança.
O investigado permanece custodiado na Cadeia Pública de Cambará e responderá perante a Justiça pelos fatos que lhe são atribuídos, observando-se o devido processo legal e o direito à defesa.
A atuação integrada entre Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Municipal foi fundamental para a localização e prisão do investigado, que acabou sendo encontrado na manhã desta segunda-feira, poucos dias após o início das investigações.

















