O Partido Liberal (PL), comandado pela família Bolsonaro, atingiu, neste domingo (4), a maior bancada da Câmara dos Deputados desde a eleição de 1986. A sigla saltou de 98 para 121 parlamentares, ficando atrás apenas do MDB nas eleições de 1986, quando a sigla elegeu 260 parlamentares.
O Partido dos Trabalhadores (PT), do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cresceu de 65 para 70 deputados eleitos e, por causa da federação com PV e PCdoB, terá a segunda maior bancada da Câmara entre os partidos. Ao lado de PDT, Psol, Rede e PSB, a esquerda representará 24% da Câmara dos Deputados, ou seja, 14 parlamentares, quase o mesmo número do PL sozinho.
A direita, por sua vez, terá quase 60% das cadeiras, com 303 deputados — número que conta também com dez deputados eleitos pelo Novo no último domingo.
Já o centro diminuiu de tamanho nessas eleições e representa apenas 16,8% da Câmara, com 86 cadeiras.
Apesar de ter diminuído de tamanho, o centrão poderá crescer em Brasília, visto que alguns deputados poderão aderir a partidos de centro que não atingiram a chamada “cláusula de desempenho”, regra que exige uma votação mínima para que partidos continuem a ter direito à propaganda eleitoral na televisão e no rádio.
Entre os partidos do chamado “centrão”, estão a federação União Progressista, composta por União Brasil e PP, que perdeu 11 deputados, e contará com 87 cadeiras a partir de fevereiro do ano que vem. O Republicanos, do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), foi de 42 para 41. O PSD, de Gilberto Kassab, caiu de 48 para 43 e o MDB perdeu dois deputados — terá 36 em 2027.
Centrão diminui, mas ainda terá força em Brasília
Apesar de perder representatividade, o centrão ainda continuará a ditar os rumos do país e será decisivo para a aprovação de projetos relevantes no país. Sem os deputados do Centrão, PT ou PL não serão capazes de formar maioria para aprovar projetos de lei.
O embarque em um possível governo do PL ou PT poderia garantir, com folga, votos para alterar pontos da Constituição. Em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro (PL), seriam 389 votos a favor do novo presidente. Caso Lula (PT) seja reeleito, o governo petista contaria com 382 votos — número superior aos 308 votos necessários para a aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC).
Entretanto, parte dos deputados eleitos por partidos que compõem o centro se identificam com a esquerda ou, principalmente, à esquerda, fato que dificultaria uma fidelidade completa do bloco.

















