O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo, nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise política e financeira desencadeada pelo colapso do banco digital Ueno. A decisão ocorreu após semanas de pressão sobre o governo e a abertura de um processo de impeachment no Congresso paraguaio.
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Peña afirmou que estava deixando a Presidência para preservar a estabilidade nacional, a paz social e as instituições democráticas. O presidente também pediu desculpas à população pelos transtornos provocados pela crise, mas não assumiu responsabilidade direta pelas irregularidades atribuídas à instituição financeira.
A renúncia acontece depois que o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país. A medida provocou o bloqueio de contas e deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso aos próprios recursos. O número representa quase metade da população paraguaia, estimada em 6,1 milhões de habitantes.
Crise bancária: entenda a renúncia de Santiago Peña
O Ueno Bank era controlado pelo Grupo Vázquez, do qual Peña foi sócio até março de 2025. A instituição cresceu rapidamente e passou a administrar aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo depósitos de órgãos estatais e fundos de previdência.
A intervenção do Banco Central ocorreu depois que fiscalizações identificaram operações de crédito consideradas irregulares, principalmente empréstimos a empresas ligadas aos controladores do banco. Após a revisão dos balanços, o capital da instituição ficou abaixo da metade do mínimo exigido pela legislação paraguaia.
O episódio provocou filas em agências, falhas em aplicativos de outras instituições financeiras e protestos em Assunção. Clientes e aposentados foram às ruas cobrar a devolução das economias. O governo anunciou medidas para acelerar o ressarcimento dos depositantes.
A crise também atingiu diretamente a cúpula do Banco Central. O presidente da instituição, Carlos Carvallo, deixou o cargo a pedido de Peña. Oito dirigentes do Ueno foram detidos, entre eles o fundador da instituição, Miguel Vázquez. Além disso, o Ministério Público apresentou acusações contra 27 pessoas relacionadas ao banco.
Vice-presidente deve assumir o governo do Paraguai
A situação política se agravou quando integrantes do próprio Partido Colorado, legenda de Peña, retiraram o apoio ao presidente. A oposição havia apresentado um pedido de impeachment, apontando possíveis conflitos de interesse, uso irregular de recursos previdenciários e omissão de autoridades na fiscalização do banco.
Com a renúncia, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência do Paraguai. A saída de Peña representa um desfecho político de grande impacto para o país, que vinha sendo considerado um dos destinos emergentes de investimentos estrangeiros na América do Sul.
Antes de deixar o cargo, Peña afirmou que sua prioridade era garantir a devolução dos recursos aos clientes e proteger o dinheiro público.
















