A implantação do Centre Pompidou Paraná, em Foz do Iguaçu, entrou em uma nova etapa com a formalização dos contratos de cooperação técnica e cultural que vão viabilizar a operação da futura unidade da instituição francesa no Estado. Primeira parceria do Centre Pompidou nas Américas, o projeto é considerado um dos mais importantes investimentos culturais em andamento na América Latina e deverá transformar a cidade em um dos principais destinos de turismo cultural, além de fomentar o desenvolvimento social, econômico, ambiental e cultural no território.
A contratação, publicada no Diário Oficial do Estado nesta segunda-feira (22), formaliza um investimento de R$ 183 milhões e contempla um conjunto de serviços necessários para a implantação e operação do museu.
Durante oito anos, além do licenciamento da marca Centre Pompidou, os instrumentos incluem consultoria técnica especializada, transferência de conhecimento, formação e treinamento de equipes, missões técnicas, acompanhamento presencial de especialistas, desenvolvimento de programas museológicos e curatoriais, acesso ao acervo e às exposições da instituição francesa, entre outras iniciativas previstas na parceria.
A contratação foi estruturada para atender diferentes etapas do projeto, abrangendo o período atual de pré-operacionalização e os primeiros anos de funcionamento do museu. O objetivo é garantir que a futura unidade adote os mesmos padrões internacionais de excelência presentes nas demais experiências internacionais do Centre Pompidou. A previsão é que o museu seja inaugurado em dezembro de 2028.
EXPERIÊNCIAS INTERNACIONAIS – A aposta em grandes equipamentos culturais como motores de desenvolvimento econômico e turístico vem sendo adotada por diversas cidades ao redor do mundo. Um dos exemplos mais conhecidos é o do Louvre Abu Dhabi, inaugurado em 2017 nos Emirados Árabes Unidos. Resultado de uma parceria entre os governos francês e emiradense, o projeto integra um amplo distrito cultural voltado à diversificação da economia local por meio da cultura e do turismo.
Desde sua abertura, o museu recebeu milhões de visitantes e se consolidou como uma das principais atrações culturais do Oriente Médio. Em apenas dois anos de funcionamento, ultrapassou a marca de 2 milhões de visitantes, tornando-se o museu mais visitado do mundo árabe. O equipamento passou a integrar a estratégia de posicionamento internacional de Abu Dhabi como destino cultural global, contribuindo para o crescimento do turismo, da hotelaria, dos serviços e da economia criativa.
Outro exemplo expressivo é o chamado “efeito Bilbao”, na Espanha. A inauguração do Museu Guggenheim Bilbao, em 1997, transformou uma antiga cidade industrial em um dos principais destinos turísticos e culturais da Europa. O museu tornou-se símbolo de revitalização urbana, atraindo investimentos, ampliando o fluxo de visitantes e impulsionando diversos setores da economia local.
Débora Mateus pontua que os impactos do projeto paranaense vão muito além da dimensão econômica, já comprovada pelos exemplos internacionais. Eles potencializam a cultura como agente transformador para o desenvolvimento sustentável.
“Os grandes museus contemporâneos são muito mais do que espaços expositivos. Eles funcionam como plataformas de inovação, educação, turismo, produção de conhecimento e desenvolvimento econômico. O que observamos em experiências internacionais é que investimentos estruturados em cultura geram impactos que se estendem para toda a cidade e para toda a região”, afirma.
A projeção é que o Centre Pompidou Paraná desempenhe papel semelhante em Foz do Iguaçu, agregando ao turismo consolidado das Cataratas uma nova dimensão cultural capaz de atrair públicos nacionais e internacionais durante todo o ano, fortalecendo a economia local e ampliando a projeção global da cidade.













