Uma mulher transexual foi brutalmente agredida e vítima de tentativa de estupro e feminicídio no município de Jacarezinho, no Norte Pioneiro do Paraná. O caso, ocorrido em 14 de julho, ganhou novos desdobramentos após o Ministério Público do Paraná (MPPR) apresentar denúncia criminal contra um dos envolvidos. O crime, com fortes indícios de motivação transfóbica, chocou a comunidade local pela violência empregada e a crueldade dos agressores.
Entenda o caso: Vítima saltou de carro em movimento para fugir do estupro
De acordo com a investigação conduzida pelo MPPR, a vítima havia aceitado uma carona oferecida por um homem que estava em um carro na companhia de outros dois indivíduos ainda não identificados. O grupo se aproximou dela após uma festa tradicional na cidade.
Durante o trajeto, já em uma área mais isolada, os dois passageiros tentaram estuprar a vítima com uso de força física. Ao resistir, ela conseguiu saltar do veículo em movimento. No entanto, os três homens desceram e passaram a agredi-la violentamente com pedras, pedaços de madeira e esganadura.
Transfobia e crueldade: Vítima sobreviveu ao simular estar morta
Segundo o Ministério Público, os agressores proferiram ofensas transfóbicas durante os ataques, evidenciando o caráter de ódio e preconceito do crime. Para sobreviver, a vítima simulou estar morta, permanecendo imóvel até que os agressores deixassem o local. Ela foi posteriormente socorrida e recebeu atendimento médico de urgência.
Além das agressões físicas, os criminosos também levaram R$ 150 que a vítima carregava consigo.
Denúncia do MPPR inclui feminicídio tentado e pedido de indenização
A 1ª Promotoria de Justiça de Jacarezinho denunciou formalmente um dos envolvidos pelos crimes de estupro, feminicídio na forma tentada, e furto qualificado. As qualificadoras apontadas na denúncia incluem o feminicídio motivado por menosprezo à condição de mulher transexual e o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
O promotor de Justiça Bruno Fernandes Ferreira, responsável pela denúncia, também solicitou que o depoimento da vítima seja realizado de forma protegida, por meio do depoimento especial, mecanismo legal usado em casos de extrema vulnerabilidade.
O MPPR ainda requereu que o denunciado seja condenado ao pagamento de R$ 50 mil em danos morais à vítima, como forma de reparação.
Áudio do promotor de Justiça Bruno Fernandes Ferreira


















