Uma pesquisa divulgada pelo Datafolha na quinta-feira (15) demonstra os ânimos acirrados da política brasileira nesta reta final de campanha eleitoral. A violência têm gerado temor entre os brasileiros: 67,5% dos entrevistados afirmam ter medo de serem agredidos fisicamente por causa de suas escolhas políticas ou partidárias.
A pesquisa do Instituto Datafolha foi feita a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS) e divulgada nesta quinta-feira (15). De acordo com o doutor em Ciências Sociais e professor da PUC PR Cezar Bueno de Lima, a violência de não poder dialogar politicamente abre margem para o autoritarismo. “A gente está proibido de externalizar a opinião política e essa violência tende a crescer nos últimos dias de campanha eleitoral”, diz.
O professor destaca que a violência política também está dentro das famílias e o medo é muito maior para sofrer uma retaliação física por conta da preferência política e ideológica.
“Essa polarização que está inscrita na sociedade é uma forma recente de forma contundente, a gente não vai dissuadir a longo prazo. Após as eleições vamos continuar convivendo com essa polarização”, ressalta
A pesquisa do Datafolha também mostrou que 3,2% dos entrevistados disseram ter sido vítimas de ameaças por motivos políticos em julho. O estudo, feito por amostragem, ouviu 2,1 mil pessoas entre os dias 3 e 13 de agosto.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública já havia feito uma pesquisa sobre violência e autoritarismo, sem avaliar o apoio à democracia, em 2017. O objetivo era de medir a propensão da população ao apoio de posições autoritárias em um cenário que se encaminharia nas eleições de 2018.
O instituto elabora um índice de medo da violência com base em uma série de preocupações. Entre elas estão a de medo de morrer assassinado, de ser sequestrado, ser vítima de estupro e ter o celular roubado.
O índice varia entre 0 e 1, onde 1 é o maior nível de medo. Em 2017, ele era de 0,68 e em 2022 chegou a 0,76.
Violência digital
O professor Cezar Bueno também abordou a questão da violência digital. Para ele, as redes sociais podem facilitar aspectos das nossas vidas mas, ao mesmo tempo, é um veículo de expressão do ódio e da intolerância. Além de ter papel decisivo nas eleições, as redes sociais também são capazes de disseminar desinformação.
“A gente pode até considerar uma crença irracional a um credo político ou valor moral tende a cristalizar votos. Aproximadamente 80% dos eleitores já decidiram o seu voto. As redes sociais decidiram as eleições em 2018. Em 2022, tem um papel equivalente ao da grande mídia televisiva”, diz o professor
Imposição de ideologia
Cezar acredita que a polarização é capaz de mostrar tendências de violência e antidemocráticas dos brasileiros. “Viver em uma sociedade como a nossa é preciso ter eleitores e eleitoras democráticas. Não podemos resolver as nossas questões pela imposição de uma ideologia. Não posso obrigar que o outro aceite meus princípios e valores morais. A gente escamba para o autoritarismo”, afirma.

















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