O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, com uma sobretaxa de 25% sobre a produção brasileira, entrou em vigor à meia-noite desta quarta-feira (22). Na prática, a medida determinada pela Casa Branca aumenta o custo de entrada de produtos nacionais no mercado americano e deve reduzir a competitividade de setores exportadores.
O governo do presidente Donald Trump confirmou a aplicação do tarifaço ao Brasil na última quarta-feira (15), após recomendação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês). Para o governo americano, o país adota práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos EUA em áreas como comércio digital, sistema de pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o combate ao desmatamento ilegal.
Na avaliação do professor de Ciências Contábeis da Estácio, Alisson Batista, o principal impacto das novas tarifas será o encarecimento dos produtos brasileiros nos Estados Unidos.
“O custo adicional tende a ser dividido entre exportadores e consumidores americanos. Parte é absorvida pelas empresas brasileiras e parte acaba sendo repassada ao preço final dos produtos”, explica.
Ainda segundo o especialista, a perda de competitividade pode reduzir o volume das exportações nacionais e provocar efeitos em cadeia. Entre eles, a desaceleração da produção, o adiamento de investimentos e ainda impactos sobre empregos em setores mais dependentes do mercado americano, como indústrias de máquinas e equipamentos, calçados e vestuário, papel, madeira, açúcar e etanol.
Apesar disso, Batista avalia que o risco de uma alta generalizada dos preços no Brasil é reduzido.
“Produtos que deixam de ser exportados aumentam a oferta no mercado interno, o que pode até pressionar os preços para baixo. O maior impacto tende a ficar concentrado nos segmentos que dependem das vendas aos Estados Unidos”, afirma.
Segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o novo tarifaço terá impacto estimado de US$ 11 bilhões nas exportações brasileiras, montante que equivale a cerca de 26,2% de todas as negociações entre os parceiros comerciais.
Com a nova política comercial, o Brasil passa a figurar entre os países mais afetados pelas sobretaxas impostas pelos EUA, atrás apenas da China.
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